terça-feira, janeiro 25, 2011

Twisted Sister e a Liberdade de Expressão

Hoje resolvi Falar em uma das Bandas que na minha opinião representa a Liberdade de Expressão.



TWISTED SISTER






Quem vê hoje o Twisted Sister em fotos, vídeos, ou mesmo ao vivo, não consegue enxergar qualquer sinal de perigo naquelas figuras bizarramente vestidas e maquiadas. Porém nem sempre foi assim...

Por mais surreal que isto pareça hoje, menos de 30 depois, no início da década de 80 o Twisted Sister era um grupo temido, não pelos fãs, obviamente, mas pelo governo dos EUA! Sim, é verdade, em uma época em que não havia Bin Ladens nas manchetes de jornais os burocratas do Tio Sam perseguiam bandas de Rock! Uma inacreditável lista produzida pelo Senado estadunidense enumerava 15 bandas que deveriam ser proibidas de tocar nas rádios e TVs, pois seriam deveras subversivas. Pasmem!

A tal lista foi elaborada por uma entidade ultraconservadora e mega 'reaça', chamada PMRC (Parents Music Resource Center, algo como Centro de Recurso Musical dos Pais), formada por esposas de políticos que não deviam ter mais o que fazer. A fúria da sinistra entidade não se voltou apenas ao Rock, até estrelas Pop como Prince e Madonna foram alvo dos modernos inquisitores. Porém ao apontar a cruz e a espada para as bandas eles encontram a resistência típica do Rock'n'Roll e algo que certamente não esperavam, inteligência! Foi Dee Snider, o folclórico vocalista do Twisted Sister, tal qual um Dom Quixote do Heavy Metal quem brandiu sua lança contra os acusadores.

Em uma histórica audiência no Senado dos EUA, Dee Snider impressionou a todos com argumentos consistentes, oratória perfeita e consciência de seus direitos como cidadão e artista. Batalha ganha, Snider perderia a guerra, pois esperando ser reconhecido como o representante e defensor do Rock, se viu sozinho e abandonado, uma vez que membros de outras bandas não o apoiaram (exceto pelo guitarrista Frank Zappa e o cantor Folk/Country John Denver). Desta forma o vocalista do Twisted Sister foi alvo de perseguição governamental, tendo seus telefones grampeados, correspondências bisbilhotadas e passos seguidos.

Este episódio e suas consequências certamente contribuiram, tal como os naturais desgastes da fama repentina, para o fim prematuro da banda em 88, pouco após o auge obtido com o disco Stay Hungry, de 84, que vendeu milhões puxado pelos megahits I Wanna Rock e Were Not Gonna Take It. Desta forma o Twisted encerrava uma das carreiras de maior sucesso nos anos 80, após cerca de 12 anos, já que a banda surgiu em 1976 (os primórdios remetem a 72).

Snider afirma que nunca estiveram muito preocupados com dinheiro como outras bandas, por isto jamais partiparam para longas turnês ao redor do mundo, razão pela qual demorou tanto para aportarem no Brasil. A banda sempre foi antes de tudo uma paixão e tocavam por prazer, quando isto passou a ser uma obrigação e surgiram desavenças entre os membros, preferiram parar. E assim permaneceram por longos 14 anos, tempo em que o vocalista se dedicou a outros projetos como a banda Widowmaker, trabalhos para televisão e cinema, além de uma programa de rádio que existe desde 1997. Pai de 4 filhos e casado com a mesma mulher há 33 anos, Snider, apesar da aparência nos palcos, jamais fez o tipo roqueiro doidão, não consumia drogas ou fazia estravagâncias típicas de bandas da sua época, muitas das quais ele influenciou, tais como Motlëy Crue, Poison, Cinderella, que depois o discriminavam devido a sua postura.

Porém um evento histórico iria trazer o Twisted Sister de volta à vida. Abalados pelos atentados de 11/09/2001 em Nova Iorque, cidade onde vivem, os antigos companheiros de banda resolveram voltar aos palcos com uma nobre missão, arrecadar fundos às vítimas da tragédia. Este retorno deveria ser temporário, mas deu tudo tão certo, até a amizade entre eles melhorou, que decidiram seguir adiante.

E foi esta banda que vimos em 2009 no Via Funchal, com a mesma formação desde o início e demonstrando a mesma garra de sempre. Um show lotado, onde cerca de 6 mil pessoas suportaram o enorme calor e berraram a plenos pulmões os hinos já citados acima, além de outros clássicos da banda. A resposta do público foi tamanha que os músicos pararam para filmar a platéia e Snider jurou emocionado que aquele era o melhor público que tiveram em toda a carreira. Disse ainda que pretendia voltar, e foi o que se sucedeu ano passado...

Portanto da próxima vez que você ouvir o clássico We're Not Gonna Take It, saiba que esta música é muito mais que um Rock pesado de refrão grudento, é sim um grito contra a repressão e a censura. Traz em sua letra explícita a atitude do Rock'n'Roll de questionar e enfrentar, em busca de um mundo livre. Pois como diz a letra em resposta aos censores do governo (em uma tradução livre) ;

'Nós não vamos nos calar, temos o direto de escolher e não vamos perder, esta é nossa vida, é a nossa música, nós lutaremos contra o poder, não escolha nosso destino pois você não nos conhece, não é um de nós. Somos livres, estamos certos e lutaremos, você verá!'

E complementando com o que diz o outro grande clássico 'Eu quero Rock!'



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