quarta-feira, janeiro 05, 2011

Os efeitos colaterais da televisão

“A televisão me deixou burro, muito burro demais
Agora todas coisas que eu penso me parecem iguais”      ARNALDO ANTUNES
Todos nós sabemos que a televisão é um poderoso instrumento de comunicação.
A cada dia em que sobrevivo neste mundo tão manipulador, percebo o quão pequenas são as perspectivas de ascensão social e econômica das pessoas. Pois os brasileiros – fato marcante atual – tendem a se contentar com muito pouco, e principalmente com o que lhes é dado nas mãos, sem que tenham que fazer nenhum simples esforço.
Neste meio, a  televisão é vista como um meio de transporte dos seus desejos mais profundos e “irrealizáveis”. Um meio de comunicação que transporta sonhos de uma vida apenas utópica, com meras ilusões de algo que acontece apenas na TV. E a novela, para completar, é tomada como um meio de caracterização desta vida sonhada pela população. Pessoas com pouca ou sem instrução, que vêem os personagens como pessoas ideais, seres distantes e inatingíveis, que vivem em uma tela de vidro onde não podem ser tocados, pois são pessoas especiais, dotadas de algo mais, que eles não têm. E isso, retira da novela todo o caráter literário que possuía quando da sua criação. Perde-se, portanto, parte da magia de seu valor real. Mas como tudo tende a se adaptar ao público-alvo... a novela (e a televisão em geral) passa a ser um meio de manipulação e de entretenimento das pessoas incultas, que chegam cansadas dos seus martirizantes trabalhos, e necessitam fugir da sua realidade, adentrando na vida de personagens idealizados. Para tanto, torna-se, a televisão, um meio alienador de mentes de pessoas sem discernimento para criticar o que lhes é passado. Pessoas submissas que passam a viver como as máquinas de seus trabalhos, manipuladas a fazer somente aquilo que lhes é imputado fazer. Não podem virar o pescoço e nem processar as informações, mas apenas reagir aos estímulos de on ou off, entrando ou saindo do ar conforme for solicitado. E os telejornais não fogem aos objetivos televisivos, assumindo uma postura de enganador da grande massa, transmitindo informações a fim de criar uma falsa imagem de que a situação do grande “povão” melhora a cada dia. E com isso, as pessoas passam a crer que todos aqueles percentuais sem nenhuma fundamentação prática em suas vidas são parte de suas realidades. 

A todo o momento somos bombardeados pela alta tecnologia e pela evolução digital, por isso agora encontro-me pensativa e tampouco saberei responder se tudo isso que pensamos vivemos e presenciamos no novo milênio é real ou digital. Será isso uma revolução, uma evolução ou uma “involução”?

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